Quando o amor também diz não: limites que acolhem

Entre tantas tarefas da educação, talvez uma das mais delicadas seja ensinar a lidar com a frustração. Não porque a criança não entenda, mas porque, muitas vezes, nós, adultos, sofremos ao vê-la sofrer. Dói olhar para alguém que amamos e perceber que nem sempre podemos evitar o desconforto. Por isso, ensinar limites com afeto exige, antes de tudo, coragem: a coragem de acolher a frustração, não de impedir que ela aconteça.

Limitar não é cortar caminhos; é oferecer direção. Não é sobre tirar a vontade da criança, mas sobre ajudá-la a descobrir que nem tudo acontece como desejamos, e que isso também faz parte da vida. Quando um adulto diz “não” com firmeza, mas também com respeito, ele mostra que existe um mundo além dos impulsos do momento, e que a criança é capaz de atravessá-lo com autonomia e segurança.

A frustração ensina. Ensina a esperar, a tentar de novo, a se acalmar depois de um choro intenso, a encontrar outras soluções quando a primeira não dá certo. No brincar, isso aparece quando a torre cai, quando o brinquedo desejado já está nas mãos do colega, quando é preciso aguardar a vez. Cada pequena frustração se transforma, aos poucos, em um aprendizado silencioso sobre tolerância e superação.

Mas o limite que educa não vem da rigidez; vem do vínculo. A criança aprende melhor quando se sente segura no colo, quando percebe que o adulto está ali não para controlar, mas para acolher. Um “não” dito com respeito é diferente de um “não” gritado. Uma regra explicada com calma ensina mais do que uma ordem imposta sem olhar nos olhos. O que forma o comportamento não é a dureza, é a presença.

Educar com afeto não significa ceder a tudo. Significa sustentar a frustração junto com a criança, reconhecer seu choro, validar sua raiva, e, ao mesmo tempo, manter o limite necessário. É olhar e dizer: “Eu sei que você queria muito, e é difícil ouvir não. Eu estou com você, e vai passar.” Nesse instante, a criança não aprende apenas uma regra — aprende que pode sentir, que pode se expressar, que pode confiar.

Quando amor e limite caminham juntos, a criança entende que o mundo não está contra ela, mas ao lado dela. E cresce sem medo das quedas, porque descobre que, mesmo quando não pode ter o que quer, sempre pode contar com quem a acompanha. E esse talvez seja o maior ensinamento: frustração dói, mas passa; vínculo fica.

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