Quando o comportamento é a linguagem possível

Durante muito tempo, comportamentos considerados difíceis ou inadequados foram interpretados apenas como falta de limites, birra ou desobediência. A psicologia contemporânea, no entanto, tem avançado em outra direção: compreender o comportamento como uma forma de comunicação, especialmente quando a linguagem verbal não dá conta de expressar o que se sente.

no processamento sensorial ou na compreensão do ambiente. Para crianças com deficiência, essas dificuldades podem se intensificar, fazendo com que o comportamento se torne o principal meio de expressar desconforto, sobrecarga ou frustração.

A ciência tem mostrado que intervenções focadas apenas em corrigir o comportamento tendem a ter efeitos limitados. Abordagens mais atuais priorizam a identificação das necessidades que estão por trás dessas respostas, considerando fatores emocionais, contextuais e relacionais. Quando o adulto muda o olhar, o manejo também se transforma.

Esse avanço teórico tem implicações diretas na família e na escola. Em vez de perguntar “como fazer parar”, a psicologia convida a perguntar “o que essa criança está tentando comunicar”. Esse deslocamento não elimina limites, mas propõe limites mais conscientes, que respeitam o desenvolvimento emocional e neurológico da criança.

Compreender o comportamento como linguagem não é permissividade. É ciência. É reconhecer que, muitas vezes, antes de ensinar novas respostas, é preciso garantir que a criança se sinta vista, compreendida e segura.

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