Movimento nacional que amplia acesso da comunidade surda à Bíblia é integrado Parceria transforma Criciúma em polo na tradução do Antigo Testamento

Foto: Divulgação/Abba Pai Church

A comunidade surda está entre os oito povos menos alcançados pelo Evangelho no Brasil, em grande medida pela ausência de conteúdos bíblicos plenamente traduzidos para a Língua Brasileira de Sinais (Libras). No mundo, mais de 300 sistemas de sinais estão em uso, mas apenas a Língua de Sinais Americana (ASL) reúne os 66 livros da Bíblia traduzidos. Atualmente, apenas 30 iniciativas desse tipo estão em andamento.

Contudo, esse cenário começa a se reconfigurar no país. Desde 2017, a Missão Kophós mobiliza voluntários surdos e intérpretes em diferentes regiões em um processo estruturado de tradução. Em 2019, a iniciativa é incorporada à UniEvangélica como projeto de extensão universitária. Sete anos depois, a tradução do Novo Testamento em Libras é concluída, ampliando o acesso da comunidade surda ao conteúdo bíblico em sua própria língua.

Em Criciúma, o projeto avança com a parceria da Abba Pai Church, que passa a atuar como polo na produção do Antigo Testamento, com conclusão prevista para 2033. A equipe local será formada por duas tradutoras e uma facilitadora, sendo duas delas surdas. “Isso é fundamental, pois a tradução para Libras não é apenas uma conversão de palavras, mas uma transposição cultural e visual que só quem vive a surdez consegue lapidar com perfeição”, explicou a líder do Ministério de Libras da Abba Pai Church, Vivian Avila de Freitas.

 

Tradução detalhada e fiel

Para viabilizar o projeto, a igreja estrutura um espaço dedicado no Abba Social 2, equipado com acervo técnico e recursos de filmagem, onde ocorrem os estudos e os registros das traduções. “Tornar-se um polo da Missão Kophós significa que a Abba Pai Church agora é uma célula estratégica de produção. No contexto do Antigo Testamento, isso é histórico. Muitas passagens nunca foram traduzidas com o rigor exegético que a Missão Kophós propõe. Como extensão do projeto, a igreja avança como protagonista na construção de um legado bíblico em Libras, garantindo que o surdo tenha acesso à ‘revelação completa’ das Escrituras”, salientou Vivian.

Além disso, ela explicou que a Libras é uma língua espaço-visual. “Como descrever o Tabernáculo, as genealogias ou as metáforas poéticas dos Salmos sem perder a essência do hebraico? É preciso criar ‘sinais-termo’ que ainda não existem para conceitos teológicos complexos. O desafio é evitar a ‘interpretação’ e focar na ‘tradução’. Precisamos garantir que o surdo entenda o contexto de sacrifícios, alianças e leis do Antigo Testamento, respeitando a gramática da Libras”, acrescentou.

Entre os desafios que a comunidade surda enfrenta está a barreira da comunicação, sendo que evangelizá-los exige relacionamento e identidade. “Quando a Igreja decide se comunicar na língua do outro, ela reconhece identidade. O que está sendo construído é um movimento que reposiciona a comunidade surda como parte ativa da missão. Ao se tornar um polo de tradução, assumimos a responsabilidade de garantir acesso integral às Escrituras, com fidelidade e profundidade, respeitando a forma como o surdo percebe e interpreta o mundo”, afirmou o pastor Telmo Martinello.

Vivian lembra, ainda, que o objetivo é transformar a região em um centro de referência e capacitação. “Queremos que, a longo prazo, surdos de outras cidades vejam a Abba Pai como um lugar onde podem ser treinados como líderes, teólogos e tradutores. O legado não é apenas um vídeo de tradução, mas uma geração de surdos biblicamente alfabetizada e empoderada pelo poder da Palavra a liderar seus próprios ministérios”, ressaltou.

 

Fonte: Engeplus

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