Neste mês de maio completo um ano como colunista deste portal. Parece que foi ontem que escrevi meu primeiro texto, “Maternidade Atípica”, abrindo o coração e compartilhando um pouco da minha vivência como mãe de uma filha autista. Lembro que, naquele momento, pensei: “Pronto, falei tudo o que tinha para falar sobre o assunto.” Confesso que tinha medo de não encontrar novas pautas, de repetir histórias ou até de não conseguir transformar sentimentos tão íntimos em palavras.
Mas a vida, generosa em seus movimentos, foi me mostrando que sempre existiria algo novo a ser aprendido, vivido e compartilhado. Ao longo deste ano, percebi que cada fase da nossa caminhada trouxe reflexões diferentes. Vieram lembranças do diagnóstico, das terapias, dos medos, das escolhas difíceis, dos preconceitos silenciosos, das adaptações da rotina e, principalmente, das transformações que a maternidade atípica provocou em mim como mulher, mãe e ser humano. Cada texto nasceu de experiências reais, de situações cotidianas e de emoções que, muitas vezes, ficaram guardadas por anos até encontrarem espaço no papel.
Sem perceber, fui construindo uma coleção de memórias. Memórias que não falam apenas sobre autismo, mas sobre amor, aceitação, amadurecimento, vulnerabilidade e esperança. E, nesse percurso, algo muito especial aconteceu: os leitores começaram a chegar até mim. Algumas mensagens ainda ecoam no meu coração:
“Me emocionei…”
“Que história linda…”
“Você escreve com leveza e objetividade ao mesmo tempo…”
“Que trajetória linda você está construindo com sua filha…”
“Pati, gosto tanto dos teus textos…”
Pode parecer simples, mas cada comentário recebido foi combustível para continuar escrevendo. Porque escrever também exige coragem. Coragem para revisitar dores, expor fragilidades e transformar experiências pessoais em pontes capazes de alcançar outras pessoas. Talvez o maior presente deste primeiro ano tenha sido perceber que, através da escrita, consegui acolher outras mães, sensibilizar pessoas e ajudar, mesmo que de maneira pequena, a ampliar o olhar sobre a deficiência. Afinal, por trás de cada diagnóstico existe uma família inteira aprendendo, diariamente, a ressignificar a vida.
Hoje, meu coração transborda gratidão. Gratidão à redatora e idealizadora deste portal, por ter acreditado em mim e por criar um espaço tão necessário, humano e sensível. Em tempos de tanta informação superficial, construir um portal que acolhe, orienta e dá voz às famílias atípicas é um gesto de grande relevância.
Desejo vida longa ao portal “Além da Deficiência”. Que ele continue chegando a quem precisa de informação, apoio, identificação e conforto. E que eu siga, através das minhas palavras, compartilhando não apenas os desafios da maternidade atípica, mas também as delicadezas, os aprendizados e as belezas que existem além da deficiência.
Com carinho,
Patrícia Silva







