Inclusão de aluno com síndrome rara emociona mãe em Florianópolis Matriculado no Núcleo de Educação Infantil Municipal (NEIM) de Coqueiros, Yuri tornou-se símbolo de inclusão e afeto na unidade

Estudante de Direito e mãe de três filhos, Laiz dos Santos, de 39 anos, vive também a experiência da maternidade atípica com o pequeno Yuri, de 5 anos. Matriculado no Núcleo de Educação Infantil Municipal (NEIM) de Coqueiros, em Florianópolis, o menino tornou-se símbolo de inclusão e afeto na unidade.

Ele convive com a síndrome de ATR-X (alfa-talassemia ligada ao cromossomo X), uma condição genética rara que afeta múltiplos sistemas orgânicos do corpo. No entanto, nada disso impede que ele aproveite a infância à sua maneira. “Ele é uma criança muito especial, cheia de luz e muito amado por todos ao seu redor. Apesar das limitações motoras e neurológicas, ele demonstra diariamente força, sensibilidade e uma enorme vontade de interagir com o mundo do jeitinho dele”, conta Laiz.

Ela também revela que brincadeiras com estímulos visuais e interações com outras crianças estão entre os programas favoritos de Yuri. Além disso, confessa que a escolha de deixar o filho no NEIM não foi um processo fácil. “Toda mãe atípica se preocupa se o filho será realmente acolhido, respeitado e incluído. A busca não era apenas por uma escola, mas por um lugar onde ele pudesse pertencer”, afirma.

A escola, entretanto, tem dado um exemplo de inclusão e preparo que tranquiliza o coração de qualquer mãe. “A unidade educativa me surpreendeu bastante, principalmente pela total disposição da equipe em aprender a lidar com ele. Foram destemidos, corajosos e extremamente acolhedores”, conta Laiz.

Recentemente, a turminha de Yuri, composta por 23 crianças, participou de um projeto baseado na história de Peter Pan. Os pequenos receberam enigmas que os levaram a diferentes destinos, sendo o último a Lagoa do Peri, no Sul da Ilha. Lá, os pequenos encontraram um baú com um jornal relatando o desaparecimento de crianças em Londres, na Inglaterra, e que o principal suspeito era o Capitão Gancho, o vilão na história original.

No fim do jornal havia outro enigma sobre um tesouro. Todos, então, fizeram uma pequena trilha contornando a Lagoa e acharam uma caixa, com a imagem do relógio Big Ben e com “moedas de ouro”, produzidas em impressora 3D. Ao notar a felicidade do filho com a atividade, no dia seguinte Laiz decidiu escrever um bilhete para a equipe e avisou à diretora Sharlene dos Santos que a mensagem estava na agenda escolar do filho.

Carta da mãe emocionou equipe do NEIM

“Ao Neim Coqueiros venho expressar minha felicidade em ter meu filho nesta instituição, sou grata pelo carinho e todo apoio nesta jornada, que vem deixando mais leve e suave. Agradeço de coração à equipe. Meu muito obrigada pelo carinho e por toda força! Yuri amou o passeio e chegou em casa super feliz e radiante. Gente, obrigada de coração por incluir meu filho tão bem e com tanto amor e dedicação, não tenho nem como agradecer a tudo que ele vem desenvolvendo junto à equipe”, dizia o bilhete.

A diretora e as professoras não conseguiram segurar as lágrimas diante da mensagem. Sharlene reforçou que o acolhimento só é possível a partir do trabalho coletivo de todos e se orgulhou com o resultado positivo. “A sensação de fazer parte da história do Yuri, da família dele e caminhar lado a lado com a Laiz é extraordinária”, conta.

Laiz afirma que o filho está cada vez mais comunicativo, atento e se sente mais seguro em ambientes diferentes. Para a mãe, cada avanço é uma grande satisfação. “É muito satisfatório perceber essa socialização, porque a criança transmite o que sente e vive. E, na escola, eu sei que ele está vivendo grandes emoções”, conclui a estudante.

 

Exemplo de educação inclusiva em Florianópolis

Das 158 crianças matriculadas na unidade, 36 já possuem diagnóstico de algum tipo de deficiência ou estão em análise. Na escola, existe uma sala multimeios onde é realizado o AEE (Atendimento Educacional Especializado). Nesse espaço, em que atuam os professores de educação especial Andréia Ferrão e Eliseu de Souza, há mobiliários, materiais didáticos, recursos pedagógicos e de acessibilidade para as crianças com deficiência, transtorno do espectro autista (TEA) e altas habilidades/superdotação.

Yuri é acompanhado por uma equipe multidisciplinar, que a professora regente Nathália Luciano Cardoso, acompanhada pela auxiliar de sala Nicole Fernandes e pelas professoras auxiliares de educação especial, Denise Coutinho e Terezinha Mendonça. Toda a equipe trabalha para garantir que o direito de aprender seja, acima de tudo, o direito de ser feliz e acolhido.

 

Fonte: ND+

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