
Aos 11 anos, Luara Dutra Gonçalves divide a rotina entre escola, até cinco horas diárias de terapia e os treinos de jiu-jítsu que, segundo ela, a deixam “muito feliz”. A moradora de Palhoça tem paralisia cerebral e epilepsia, sequelas de uma violência obstétrica ocorrida em um hospital da Grande Florianópolis, e viu no tatame um caminho de superação. Em abril, Luara participou de mais uma luta inclusiva em um campeonato de Santa Catarina e o vídeo publicado nas redes sociais, alcançou quase 12 milhões de visualizações.
A mãe de Luara, Naiara Dutra, de 40 anos, conta que chegou ao hospital com 40 semanas de gestação, apresentando contrações contínuas, mas sem dilatação. De acordo com ela, o atendimento demorou e o trabalho de parto durou cerca de 33 horas. “Com a demora no atendimento eu fiquei 33 horas em trabalho de parto e nada foi feito, até que a Luara entrou em sofrimento fetal e teve que ser retirada às pressas com fórceps”, relata.
Segundo Naiara, a filha nasceu sem movimentos vitais e precisou ser reanimada durante cinco minutos: “Ela nasceu roxa, sem movimentos vitais, mas com a reanimação voltou a respirar. O médico falou que ela teve falta de oxigênio no cérebro porque ficou trancada, pois eu não tive a dilatação necessária para a passagem dela.”
Mãe e filha permaneceram 15 dias internadas. Ainda na primeira semana de vida, Luara apresentou crises de epilepsia e recebeu alta utilizando medicamento anticonvulsivante. O diagnóstico definitivo veio apenas quando ela tinha um ano e dois meses. “O médico disse: ‘Mãe, ela tem paralisia cerebral e epilepsia.’ Ali meu mundo desabou, mas ao mesmo tempo foi ali que eu tive que ser forte mais uma vez e começar a correr atrás de tudo que ela precisava”, lembra Naiara.
Apesar das dificuldades, ela diz que nunca permitiu que a deficiência definisse a filha. “A chegada da Luara foi uma bênção e ela me transformou na melhor mãe que ela precisava para se desenvolver. Ela é uma menina feliz, divertida, ama estar incluída em tudo. Sempre mostramos para ela que é capaz de fazer tudo”, afirma.
Fonte: ND+







