Quando o comportamento fala, é preciso escutar

Foto: Imagem gerada por Inteligência Artificial

Nem sempre o que a criança expressa vem em forma de palavra. Às vezes, vem no choro que parece sem motivo, na recusa insistente, no corpo que se agita, no comportamento que desafia e desconcerta quem está por perto. E é aí que mora um dos maiores equívocos: enxergar o comportamento apenas como algo a ser corrigido, quando, na verdade, ele pode ser algo a ser compreendido.

Todo comportamento comunica. A criança que empurra pode estar dizendo “não sei como me aproximar”. A que grita pode estar pedindo ajuda. A que se afasta pode estar tentando se proteger de algo que ainda não consegue organizar por dentro. E aquela que insiste, repete, resiste — talvez esteja apenas tentando ser ouvida em uma linguagem que ainda não foi reconhecida.

Quando o adulto responde apenas com correção, perde a chance de escutar. Escutar o comportamento é ir além do que aparece. É perguntar: o que essa criança está tentando me dizer? O que ela precisa — e ainda não consegue expressar de outra forma? É trocar o julgamento pela curiosidade, a punição pela investigação sensível. Isso não significa permitir tudo. Significa compreender antes de intervir.

Na educação e nos espaços terapêuticos, essa mudança de olhar transforma relações. Porque quando a criança percebe que não está sendo apenas contida, mas compreendida, algo se reorganiza. O vínculo se fortalece. A confiança cresce. E, aos poucos, novas formas de comunicação podem surgir.

Comportamentos desafiadores não nascem do nada. Eles são respostas. São tentativas. São caminhos possíveis dentro do repertório que a criança tem naquele momento. E é justamente por isso que ela precisa de um adulto que a ajude a ampliar esse repertório — não com rigidez, mas com presença, com mediação, com escuta.

Ensinar outras formas de comunicar começa quando reconhecemos a que já existe. Incluir também é isso: não silenciar o comportamento, mas traduzi-lo. Não apagar a expressão, mas dar a ela novos caminhos. Porque por trás de todo comportamento, existe uma criança tentando dizer algo. E toda criança merece ser escutada — mesmo quando ainda não sabe como falar.

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