Relato de mulher com cão-guia expõe barreiras que ainda dificultam a inclusão em Tubarão Laura falou sobre situações de constrangimento e resistência enfrentadas por pessoas com deficiência visual; discussão aborda direito ao cão-guia

“Falta empatia.” A frase resumiu o desabafo de Laura Bopré Justino ao ocupar a tribuna da Câmara de Vereadores de Tubarão, na última segunda-feira (14). Pessoa com deficiência visual e usuária de cão-guia, ela relatou situações que enfrenta no cotidiano e mostrou que, mesmo quando a acessibilidade está garantida pela lei, a falta de informação ainda pode transformar tarefas simples em momentos de constrangimento.

Durante a 33ª Sessão Ordinária, Laura explicou aos vereadores que o cão-guia é fundamental para sua autonomia, segurança e mobilidade. Ainda assim, segundo o relato, não são raras as situações em que a presença do animal provoca questionamentos, resistência ou até tentativas de impedir seu acesso a determinados espaços e meios de transporte. O problema, conforme apontado por ela, também pode aparecer em corridas realizadas por aplicativos.

O relato foi levado ao Legislativo por meio do Requerimento nº 569/2026, de autoria do vereador Everson Barbosa Martins, para ampliar a discussão sobre acessibilidade, inclusão e respeito aos direitos das pessoas com deficiência visual. Um dos principais pontos destacados foi a necessidade de diferenciar o cão-guia de um animal de companhia. O animal é treinado para auxiliar na locomoção e segurança da pessoa com deficiência visual e, por isso, sua presença está diretamente ligada à autonomia e ao direito de circulação.

A Lei Federal nº 11.126/2005 garante à pessoa com deficiência visual acompanhada de cão-guia o direito de ingressar e permanecer com o animal em meios de transporte e em estabelecimentos abertos ao público, de uso público e privados de uso coletivo. A legislação também prevê que impedir ou dificultar esse direito configura ato de discriminação. Na prática, porém, Laura mostrou que conhecer a lei ainda não faz parte da realidade de muitas pessoas. E é nesse espaço entre o que está previsto e o que acontece que surgem as principais barreiras.

 

Informação pode evitar constrangimentos

Após o relato, os vereadores discutiram a possibilidade de transformar o episódio em uma oportunidade para ampliar a informação em Tubarão. Entre as propostas levantadas está a realização de campanhas de conscientização em parceria com entidades do município, explicando os direitos das pessoas com deficiência visual e orientando sobre o acesso e a permanência de cães-guia em diferentes espaços.

Também foi debatida a possibilidade de diálogo com o Poder Executivo para desenvolver ações de conscientização voltadas à população.

A discussão levantada por Laura também chama atenção para um aspecto muitas vezes esquecido quando se fala em acessibilidade. Uma cidade acessível não depende apenas de calçadas adequadas, rampas, sinalização ou transporte adaptado. Ela também depende da forma como as pessoas tratam quem precisa desses recursos para viver com autonomia.

Ao compartilhar sua experiência na Câmara, Laura colocou em evidência uma realidade que ultrapassa sua própria história. Para quem utiliza um cão-guia, poder entrar em um estabelecimento, utilizar um transporte ou simplesmente circular pela cidade não deveria representar uma negociação ou uma explicação constante.

No fim, a mensagem deixada aos vereadores foi simples e direta: informação garante que a lei seja conhecida; empatia ajuda a fazer com que ela seja respeitada.

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