Amor não mima

Em um vídeo que se tornou bastante conhecido, o escritor e palestrante Marcos Piangers faz uma afirmação simples, mas que provoca uma grande reflexão: “Amor não mima.” Segundo ele, o que realmente “mima” uma criança não é o excesso de carinho, de abraços ou de demonstrações de afeto, mas a ausência de limites, de responsabilidade e de participação na vida familiar.

O amor não torna uma criança menos forte ou mais dependente. Muito pelo contrário. É a presença constante da família, os abraços, o colo, as palavras de incentivo e a demonstração diária de afeto que constroem uma base emocional segura. Crianças que se sentem amadas e acolhidas crescem com mais confiança para explorar o mundo, desenvolver autonomia, criar vínculos saudáveis e enfrentar desafios. O afeto não impede o crescimento; ele é justamente o solo sobre o qual o desenvolvimento acontece.

Durante muito tempo, fomos levados a acreditar que atender ao choro rapidamente, pegar uma criança no colo ou demonstrar carinho com frequência poderia torná-la dependente ou “mal-acostumada”. Hoje, a psicologia do desenvolvimento caminha em outra direção. As evidências mostram que crianças que crescem em vínculos seguros e afetivos desenvolvem mais confiança, autonomia e segurança emocional ao longo da vida.

O afeto é uma necessidade, não um privilégio. É através dele que a criança aprende que o mundo pode ser um lugar seguro e que existem pessoas disponíveis para acolhê-la quando necessário. Esse sentimento de segurança é justamente o que favorece sua independência. Afinal, quem se sente seguro explora mais, aprende mais e enfrenta desafios com maior confiança.

No entanto, amar não significa dizer “sim” para tudo. O amor que promove desenvolvimento também ensina responsabilidade. Permitir que a criança espere sua vez, participe das tarefas compatíveis com sua idade, enfrente pequenas frustrações e compreenda que nem todos os desejos serão atendidos faz parte de uma educação baseada no afeto.

Essa reflexão é especialmente importante quando pensamos nas crianças atípicas. Muitas vezes, por amor e pelo desejo de protegê-las, acabamos realizando atividades que elas já poderiam experimentar sozinhas ou evitando qualquer situação que possa gerar frustração. Embora essa atitude seja compreensível, a superproteção pode limitar oportunidades importantes de aprendizagem e autonomia.

Amar é acolher quando necessário, mas também acreditar na capacidade da criança. É estar por perto sem fazer tudo por ela. É oferecer apoio sem retirar a oportunidade de crescer. Talvez a maior demonstração de amor não seja impedir que nossos filhos enfrentem desafios, mas permanecer ao lado deles enquanto descobrem que são capazes de superá-los.

Se você ainda não assistiu ao vídeo que inspirou esta reflexão, vale a pena dedicar alguns minutos. Assista: “AMOR NÃO MIMA” – Marcos Piangers (YouTube Shorts)⁠. Até a próxima coluna, um carinhoso abraço e uma ótima semana.

Receba outras notícias pelo WhatsApp. Clique aqui e entre no grupo do Além da deficiência.

RECOMENDADAS PARA VOCÊ​

Rolar para cima