Jovens com síndrome de Down aprendem novas profissões e dão passos rumo à independência em SC Projeto em São José capacita 15 pessoas para produzir camisetas, bonés, canecas e velas aromáticas, criando oportunidades de geração de renda e inclusão profissional

Em vez de apenas aprender uma atividade, 15 jovens e adultos com síndrome de Down são preparados para uma nova etapa da vida: a entrada no mercado de trabalho. Em São José, na Grande Florianópolis, eles participam de oficinas que ensinam desde a produção de velas aromáticas até a personalização de camisetas, bonés e canecas.

A iniciativa é da Associação Amigo Down (AAD), por meio do projeto “Mãos que Falam – Cromossomo Criativo”, viabilizado com R$ 30,3 mil do programa PJSC Mais Social, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC). As atividades deram origem a duas marcas criadas pelos próprios participantes: Estampa 21, voltada aos produtos personalizados, e Aroma 21, dedicada às velas aromáticas. Os alunos, com idades entre 21 e 38 anos, participam das oficinas do Serviço de Vivências Laborais (Sevil) duas vezes por semana.

A proposta vai além de ensinar uma profissão. Os participantes também são estimulados a desenvolver autonomia, responsabilidade e habilidades necessárias para a rotina de trabalho. Uma das primeiras atividades do projeto, por exemplo, foi ensinar os jovens a reconhecer e utilizar o dinheiro. “Buscamos algo que fosse prático, para que eles conseguissem lidar de forma autônoma e que os habilitasse ao mercado de trabalho”, explicou a coordenadora pedagógica da associação, Aline Barros.

A rotina das oficinas também reproduz situações encontradas em uma empresa. Os participantes chegam às 9h e a primeira tarefa é registrar a entrada no cartão-ponto. Para Angelita Crespo Nunes, mãe de Rafael Crespo, de 21 anos, essa experiência pode fazer diferença na construção da independência do filho. Rafael frequenta a associação desde 2018 e atualmente cursa Produção Multimídia no Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC).

As atividades, segundo ela, ajudam os jovens a conhecer não apenas uma profissão, mas também a dinâmica de um ambiente de trabalho. “Isso vai contribuir para a independência deles, porque não somos eternos”, destacou.

 

Uma oportunidade que faltava

A diretora administrativa da Associação Amigo Down, Vivian dos Santos Beuttemmüller, considera a iniciativa um avanço para a entidade, que identificava a preparação para o trabalho como uma das principais lacunas no atendimento oferecido. A associação foi criada em 1991 e atualmente atende 163 pessoas, do nascimento à terceira idade, vindas de diferentes regiões de Santa Catarina. A entidade realiza mais de 400 atendimentos mensais com profissionais de áreas como fisioterapia, fonoaudiologia, pedagogia, assistência social, neuropsicologia e educação física.

Com o novo projeto, a instituição passou a incluir também a preparação profissional entre as possibilidades oferecidas aos usuários. A proposta é que as habilidades desenvolvidas nas oficinas possam, futuramente, abrir caminhos para a geração de renda e para uma maior autonomia financeira dos participantes.

 

De onde vem o dinheiro

Os R$ 30.368,40 destinados à Associação Amigo Down fazem parte do programa PJSC Mais Social, do TJSC. Os recursos utilizados pelo programa são provenientes de valores pagos em penas de prestação pecuniária, suspensão condicional do processo, transações penais e acordos de não persecução penal relacionados a crimes de menor potencial ofensivo. Em 2025, o programa destinou aproximadamente R$ 7 milhões para 181 projetos sociais em Santa Catarina.

Receba outras notícias pelo WhatsApp. Clique aqui e entre no grupo do Além da deficiência.

RECOMENDADAS PARA VOCÊ​

Rolar para cima