Bebê que ficou surda após infecção vence desafios e ganha nova chance de ouvir Com 1,3 anos, Ayla passou por internação, aparelho auditivo e implante coclear; a história é também um alerta para diagnósticos inesperados

Aos poucos mais de um mês de vida, Ayla Alves Kulkamp já havia enfrentado uma série de complicações de saúde. Internada desde o nascimento, a bebê se recuperava das consequências de uma infecção por citomegalovírus (CMV) quando um exame revelou uma nova realidade para a família: ela não respondia aos sons.

Para Carla Maximiano Alves e o marido, a notícia veio acompanhada de medo e muitas perguntas. “Como vai ser o futuro? Como vamos saber cuidar de uma criança surda? Será que ela vai ser tratada normalmente? Será que vai ter um futuro?”, lembra a mãe.

Hoje, aos 1 ano e 3 meses, Ayla é descrita pela família como uma criança saudável, ativa e feliz. Depois de tentar utilizar aparelho auditivo sem obter resposta, ela passou por um implante coclear em Tubarão e iniciou uma nova etapa de desenvolvimento, acompanhada de perto pelos pais e por profissionais.

 

Uma gravidez acompanhada de perto e uma descoberta difícil

A história, porém, começou ainda durante a gestação. Carla conta que os exames apontavam a presença do citomegalovírus, mas, naquele momento, o vírus estava inativo. Cerca de um mês antes do parto, ela teve uma gripe forte e, segundo a família, a queda da imunidade teria contribuído para a reativação do vírus, que acabou atingindo a bebê por meio da placenta.

Antes de completar 37 semanas de gestação, o médico que acompanhava Carla em Braço do Norte decidiu antecipar a cesárea. Embora a cardiotocografia não apresentasse alterações, ele desconfiou de que havia algo errado. A preocupação se confirmou no nascimento. Ayla estava em sofrimento fetal, havia eliminado mecônio e precisou ser reanimada pela pediatra.

Logo depois, outros sinais chamaram a atenção da equipe médica. A recém-nascida apresentava aumento do fígado e do baço, além de pequenas manchas pelo corpo. Exames de imagem também identificaram calcificações intracranianas. Naquela noite diante do histórico materno e dos sinais do bebê, a pediatra levantou a suspeita de citomegalovírus. O tratamento foi iniciado antes mesmo da confirmação laboratorial. Posteriormente, os exames confirmaram o diagnóstico.

Ayla permaneceu internada durante 41 dias. Nasceu debilitada, com anemia severa, e os pais ainda não sabiam quais consequências a infecção poderia provocar. Durante a internação, a bebê não passou no chamado teste da orelhinha. O exame foi repetido alguns dias depois, mas o resultado voltou a indicar ausência de resposta aos estímulos sonoros.

A equipe então realizou o BERA, exame que avalia a resposta do sistema auditivo aos sons. Foi nesse momento que a família recebeu a confirmação de que Ayla não estava ouvindo. “Foi um desespero. Foram dias muito tristes. A gente via que ela estava evoluindo, crescendo e ganhando peso devagarzinho, mas, ao mesmo tempo, recebeu a notícia de que ela era surda”, conta Carla.

Com pouco mais de 40 dias de vida, Ayla começou a utilizar aparelho auditivo na tentativa de amplificar os sons. A estratégia, porém, não trouxe a resposta esperada. A família precisou então buscar outra possibilidade.

 

O implante que mudou a rotina da família

A alternativa encontrada foi o implante coclear. O procedimento foi realizado em Tubarão e, segundo a família, Ayla foi a primeira criança a receber um implante no município. Antes dela, apenas um adulto havia passado pelo procedimento na cidade. A cirurgia marcou uma nova fase. Além do implante, Ayla realiza acompanhamento fonoaudiológico, que continua sendo fundamental para seu desenvolvimento.

A rotina de consultas, terapias e cuidados também provocou mudanças profundas na vida dos pais. Carla deixou o trabalho fora de casa para se dedicar à filha. “É uma luta diária. Não é só levar para a terapia duas vezes por semana. Tem os custos e tudo o que envolve os cuidados. Nossa vida mudou 100% depois que ela nasceu. Mas, graças a Deus, estamos conseguindo”, afirma.

Longe do hospital e da tensão dos primeiros meses, Ayla vive hoje uma rotina parecida com a de qualquer criança de sua idade. Carla a descreve como calma, mas também bastante ativa. A menina gosta de ambientes conhecidos e sente falta de casa quando passa muito tempo longe. “A presença da irmã traz segurança para ela. Não importa o lugar nem o horário. Se a mana está junto, ela fica mais tranquila”, conta Carla.

Para a família, cada uma dessas pequenas conquistas tem um significado enorme diante de tudo o que Ayla enfrentou desde o nascimento. Depois de atravessar o medo, a incerteza e uma rotina completamente diferente da planejada, Carla decidiu contar a história da filha por um motivo: tentar ajudar outras famílias que também podem estar diante de um diagnóstico difícil.

Ela sabe que nem todos conseguem enfrentar o processo da mesma maneira. Por isso, quer que a experiência de Ayla sirva como incentivo para quem pensa em desistir diante das dificuldades. “Eu sei que muitos pais correm atrás, mas também sei que tem gente que desanima diante de tantas dificuldades. É por isso que conto a história da minha filha. Para as pessoas não desistirem dos filhos”, afirma.

As perguntas que assustaram Carla e o marido nas primeiras semanas de vida da filha continuam sem todas as respostas. Mas o medo do futuro deu lugar a algo diferente: a possibilidade de acompanhar Ayla crescendo, descobrindo o mundo e conquistando, dia após dia, novas formas de se comunicar. “Ela era para ser nossa do jeitinho que ela é. Ela é incrível. Hoje está saudável e, principalmente, feliz”.

 

Fonte: Sulinfoco

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