
Aos seis anos de idade, uma crise epiléptica roubou de Kauã da Silva Titon a capacidade de ouvir. Porém, o que parecia ser um silêncio definitivo foi revertido na semana passada, oito anos depois, em Florianópolis. Ele pôde ouvir a voz da mãe pela primeira vez após um longo período de total perda auditiva.
O jovem de 14 anos realizou uma cirurgia de implante coclear pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na capital catarinense que devolveu o reconhecimento de sons auditivos. A mudança marcou uma nova etapa na vida do adolescente. A família convivia com os desafios impostos pela surdez e buscava alternativas que pudessem melhorar sua qualidade de vida.
De acordo com a Unidade de Comunicação do Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o implante coclear é um recurso tecnológico utilizado no tratamento de pessoas com surdez severa ou profunda que não obtêm melhora significativa com aparelhos auditivos tradicionais.
O dispositivo é implantado cirurgicamente no ouvido interno e atua estimulando diretamente o nervo auditivo por meio de sinais elétricos. Em conjunto com uma parte externa responsável por captar e processar os sons, o sistema permite que o paciente volte a perceber estímulos sonoros. O procedimento pode ser realizado em crianças a partir dos seis meses de idade, desde que atendam aos critérios médicos necessários.
Por envolver uma intervenção de elevada complexidade, os hospitais que oferecem esse tipo de tratamento precisam cumprir uma série de requisitos estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Entre as exigências estão a presença de equipes multidisciplinares especializadas e uma estrutura adequada para a realização do procedimento e do acompanhamento dos pacientes.
Em Santa Catarina, os candidatos ao implante são encaminhados por serviços especializados em saúde auditiva e passam por avaliações, exames específicos, testes durante o procedimento cirúrgico e monitoramento contínuo após a implantação do dispositivo. Durante uma das etapas de adaptação ao implante coclear, Kauã participou de testes para ajustar gradualmente a intensidade dos sons que passaria a ouvir. O vídeo mostra a primeira vez que ele volta a ouvir.
Os profissionais regulam o equipamento e ele é questionado sobre o volume e a clareza das vozes, indicando se os sons estavam baixos, confortáveis ou se precisavam de novos ajustes. O adolescente identificou com nitidez as vozes das pessoas ao seu redor, incluindo a da mãe, o que causou grande comoção.
O momento foi marcado por forte emoção entre os familiares, que acompanharam cada reação de Kauã. Ao perceber que conseguia ouvir novamente, o jovem demonstrou felicidade e não conseguiu conter as lágrimas, enquanto os presentes celebravam a conquista após uma longa trajetória de desafios. Durante o encontro, a mãe relembrou a fé do filho e o desejo que ele manifestava de voltar a escutar. Segundo ela, Kauã havia feito orações pedindo pela oportunidade de realizar a cirurgia e recuperar a audição.
Fonte: ND+







