Pedreiro que trabalha sem uma perna terá consulta para avaliar nova prótese Após a reportagem uma corrente de solidariedade poderá transformar a vida do pedreiro lagunense e viabilizar a perna mecânica

O pedreiro Douglas Costa Ribeiro, de 35 anos, que emocionou leitores ao contar como trabalha diariamente sem uma perna, já tem uma consulta encaminhada para avaliar a possibilidade de voltar a usar uma prótese após anos convivendo com dores e limitações. A história ganhou repercussão após o morador de Laguna contar como é seu o dia a dia de trabalhado quando atuava em uma obra na região de Cocal do Sul.

A reportagem alcançou milhares de pessoas e desencadeou uma corrente de solidariedade que poderá transformar a vida do pedreiro lagunense. Dias depois da publicação lançada pela reportagem do Sul In Foco, a história ganhou repercussão e mobilizou pessoas de diferentes regiões do país. Entre os contatos recebidos por Douglas está o da equipe do empresário Luciano Hang, que passou a acompanhar o caso.

O primeiro resultado concreto dessa mobilização foi por meio de um médico ortopedista, envolvido nas tratativas que entrou em contato direto com Douglas para marcar uma avaliação em Tubarão. Em mensagem compartilhada com a reportagem, o profissional propôs uma consulta para conhecer melhor o caso e iniciar a análise sobre a possibilidade de adaptação de uma nova prótese.

“Douglas, eu queria ver contigo como é a tua disponibilidade e qual é a região que tu moras para a gente poder fazer uma avaliação. Me falaram que tu és de Laguna ou da região de Tubarão. Eu atendo em Tubarão. Não sei se nessa próxima segunda tu terias algum horário para a gente sentar e conversar”, propôs o profissional. A assessoria de Luciano Hang confirmou que a equipe está em contato com o médico e atua para viabilizar a melhor solução para o trabalhador. “Ver o tipo de prótese que será necessária para dar a ele”, confirmou.

Além da consulta com o ortopedista, Douglas também foi procurado por profissionais especializados em próteses. Um deles iniciou conversas para entender as condições atuais do trabalhador e avaliar quais modelos poderiam atender sua rotina. Outra empresa de São Paulo especializada em componentes ortopédicos também se colocou à disposição para colaborar no processo. Durante as conversas, representantes chegaram a apresentar possibilidades ligadas ao esporte paralímpico e compartilharam experiências de atletas amputados que utilizam tecnologias semelhantes.

Hoje, Douglas trabalha sem prótese pois a que utilizava durante anos deixou de se adaptar corretamente ao corpo, passou a causar ferimentos e acabou sendo abandonada. Mesmo assim, ele nunca deixou a construção civil e afirma que não pretende trocar de profissão. “Eu amo o que faço. Foi o que eu aprendi desde novo. Não consigo me imaginar trabalhando dentro de um escritório, atrás de uma mesa. Eu sou feliz trabalhando na obra, convivendo com as pessoas e vendo o serviço acontecer”, contou.

 

Relembre o caso

Douglas perdeu a perna esquerda aos 16 anos em um grave acidente de trânsito que também tirou a vida de seu padrasto. Mesmo após a amputação, seguiu trabalhando na construção civil e se tornou conhecido pela determinação com que enfrenta a rotina pesada dos canteiros de obras. A possibilidade de receber uma nova perna mecânica representa mais do que conforto ou mobilidade. “Significa continuar exercendo a profissão que eu escolhi, mas com menos dor e mais qualidade de vida”, diz.

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