
Para alguns estudantes, o barulho de uma sala de aula, do recreio ou de uma atividade escolar pode ser mais do que um simples incômodo. Em Içara, um recurso simples passou a fazer parte da rotina de alunos que enfrentam hipersensibilidade auditiva ou dificuldade para lidar com excesso de estímulos sonoros. Desde junho de 2026, cerca de 50 estudantes da rede municipal já receberam abafadores auditivos.
Os equipamentos são destinados principalmente a alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras condições que exigem suporte sensorial. A proposta é reduzir o impacto de sons intensos e ajudar o estudante a permanecer e participar das atividades escolares com mais conforto. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, o recurso também pode contribuir para diminuir situações de sobrecarga sensorial e favorecer a autorregulação.
A distribuição não ocorre de forma automática. A própria escola identifica a necessidade e encaminha a solicitação à coordenação de Educação Especial da Secretaria de Educação. Depois da análise, a equipe entra em contato com a família para providenciar a entrega do equipamento.
Além dos abafadores que já foram entregues, outros 50 equipamentos permanecem disponíveis para novos estudantes que venham a ser identificados com necessidade de suporte. A expectativa é manter a distribuição conforme as demandas surgirem nas escolas. As famílias que recebem o equipamento também são orientadas sobre os cuidados necessários para preservar o material. A princípio, não haverá substituição em caso de perda ou danos decorrentes do uso, exceto em situações consideradas especiais.
A medida coloca em evidência uma questão que vem ganhando espaço nas discussões sobre inclusão escolar: nem sempre adaptar a escola significa fazer grandes mudanças estruturais. Em alguns casos, um recurso de acessibilidade adequado pode ser determinante para que o aluno consiga permanecer no ambiente, participar das atividades e lidar melhor com os estímulos do cotidiano escolar.
Fonte: Engeplus







