
A história de Jucilene Homem, 48 anos, com a Associação Florianopolitana de Deficientes Físicos (Aflodef) começou dentro de uma quadra de basquete. Depois de 23 anos como atleta paralímpica, ela passou a atuar na entidade, chegou à presidência — sendo a primeira mulher no cargo — e transformou a própria experiência em defesa por mais acessibilidade, autonomia e participação.
O primeiro contato com a Aflodef aconteceu ainda como adversária, quando Jucilene defendia outra equipe catarinense. Em 2016, recebeu o convite do então presidente Zezinho para integrar a instituição. A partir daí, passou pelo departamento de esportes e assumiu novas funções até chegar à presidência, onde permaneceu até 2025.
Mesmo fora das quadras, ela continua ligada ao basquete como auxiliar técnica da equipe da Aflodef. Para Jucilene, o esporte teve papel decisivo em sua trajetória. “O esporte mudou a minha vida. Então, o esporte ainda é uma ferramenta de transformação social muito poderosa”, afirma.
A experiência também fortaleceu uma das principais bandeiras defendidas por Jucilene: a participação das próprias pessoas com deficiência na construção das políticas públicas. “As pessoas que tomam conta das nossas políticas públicas precisam nos ouvir. Muitas vezes são tomadas decisões sem o nosso consentimento”.
Ela aponta ainda o capacitismo e as barreiras de acessibilidade como desafios que continuam presentes no cotidiano. Um degrau, uma escada sem alternativa acessível ou a falta de uma rampa podem representar obstáculos enormes para quem tem mobilidade reduzida.
Para Jucilene, investir em acessibilidade não beneficia apenas pessoas com deficiência. Idosos, gestantes e pessoas com limitações temporárias também são diretamente beneficiados por ambientes mais acessíveis.
Atendimentos da Aflodef
Fundada em 1985, a Aflodef chegou a 2025 com 8.623 usuários cadastrados e mais de 85 atendimentos diários. A entidade atua em áreas como assistência social, saúde, mobilidade, educação, esporte e tecnologia assistiva. Somente o projeto Porta a Porta, voltado ao transporte adaptado em Florianópolis, realizou 5.186 atendimentos em 2025.
No mesmo ano, foram registrados 710 atendimentos na área da saúde, 2.060 no transporte educacional e 262 serviços de manutenção e revisão de equipamentos de tecnologia assistiva. A oficina também recupera equipamentos doados e, em 2025, registrou 313 empréstimos e cessões de uso, incluindo cadeiras de rodas, muletas, camas hospitalares, cadeiras de banho e bengalas.
Dentro da própria Aflodef, histórias como a de Antônio Gerônimo mostram outra dimensão da entidade. Há cerca de 20 anos, ele chegou para trabalhar em serviços gerais e acabou convidado pelo então presidente Zezinho para atuar na oficina de cadeiras de rodas.
Sem experiência com esse tipo de equipamento, aprendeu na prática e hoje é responsável pela Oficina de Manutenção e Reparos. O trabalho envolve consertos, ajustes e substituição de peças em cadeiras de rodas convencionais, além de conhecimentos básicos sobre modelos motorizados.
Entre histórias de esporte, trabalho, reabilitação e acesso a equipamentos, a trajetória da Aflodef mostra como a inclusão também passa por autonomia, oportunidades e participação ativa das pessoas com deficiência nas decisões sobre suas próprias vidas.








